- Nome, por favor.
- Roxá.
- Como?
- Roxá.
- O senhor poderia soletrar, por favor?
- R-O-X-Á. Com acento no “A”.
- Pfff (segurando o riso)... nome diferente, né?
- É, meu pai é psicólogo. Me batizou assim em homenagem ao Dr. Hermann Rorschach, aquele do teste do borrão nas pranchas, conhece?
- Não.
- Aquele que criou o teste psicológico em que você recebe uma prancha com um borrão no meio e tem que relacioná-lo à primeira imagem que vem na sua cabeça. “O que você consegue ver aqui?...” (engrossando a voz). Saca? O teste do borrão de Rorschach, ou das pranchas de Rorschach?
- Não conheço. Nunca fui a um psicólogo.
(Ruído de caneta riscando o papel)
- Bom... poderia ser Hermann mesmo, mas ele cismou em aportuguesar o Rorschach... aí ficou assim.
- E pensar que eu sofri a infância toda por me chamar Geni.
- Por quê? É um nome tão bonito.
- Não na minha época. Levei muita pedrada e cuspida dos moleques por causa da música do Chico Buarque.
- É, crianças sabem ser cruéis quando querem.
(Zumbido de impressora)
- Assine o formulário aqui, por favor.
- OK.
(Breve silêncio)
- Pior é a combinação que dá meu nome completo.
- Como é?
- Geni Regueira.
- Ah! Mas não é feio! Conheço muitas pessoas com esse sobrenome em Recife. Gustavo Regueira, por exemplo. Amigão meu.
- Não é feio? Dá pra imaginar como foi difícil arrumar um marido? Na faculdade todos achavam que era algum apelido, por causa da Geni da música. Ganhei fama de prostituta sem querer.
- Sério?
- Pois é.
- Putz, se eu contar isso pra alguém, acho que ninguém acredita.
- Quando eu era casada, nas muitas discussões que eu tinha com o meu marido, ele me dizia “você se esquece que eu tirei você daquela vida!” Dá pra acreditar? Ele chegou a levar a sério aquela história.
- Hahahaha!
- Eu odeio o Chico Buarque!
- Hahahaha!
- Não acredito que até o senhor vai rir do meu nome!
- HAHAHAHAHA!!!
- Para com isso!!
- HAHAHAHAHA!!!
- POR FAVOR!!!
- He-he-he... pffff... desculpa. Não estou rindo do seu nome. A situação toda que me parece muito ridícula.
- Tudo bem... O senhor há de convir que sou traumatizada com essa história.
- Certamente.
- Pronto. Pode levar seu documento ao banco, e depois volte aqui com as três vias.
- Obrigado.
- Só uma coisa. Reparou que meu chefe não tira os olhos de nós porque estamos há algum tempo conversando?
- Nem percebi. Desculpa atrapalhar seu trabalho
- Não, sem problema. Não é por isso. (sorriso envergonhado) É que tenho fama de rapariga até aqui na repartição. Precisa ver como aquele troglodita me trata. Não tira os olhos das minhas pernas.
- Sem querer parecer inconveniente, mas a senhora tem umas belas pernas. Não me admira que o chefe não tire os olhos dela.
- Sério? Hmmm... (sorriso discreto) muito obrigada. (Aproxima-se e sussurra) Oitenta reais mais o dinheiro do táxi.
- Como é que é?
- O programa. Oitenta mais o táxi.
- Não entendi.
- Quer que eu desenhe pra você entender?
- Mas... a senhora não disse... é... mas...
- Ah! Você é muito devagar. Vai embora que está atrapalhando meu serviço. Idiota!
- Mas... mas...
- O próximo!
5.1.06
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Um comentário:
Tô aqui me acabando de rir...
Esta foi boa.
=D
.
Gostei do layout clean de 2006.
heheheheheehe
.
Bom FDS.
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