CENA 1
Na janela de uma casa, no centro histórico de Olinda, se encontra o PAPAGAIO. A casa é daquelas cuja porta e janelas frontais dão direto para a rua.
O BÊBADO (que ainda está sóbrio) e o PORTUGUÊS caminham na rua em frente à casa, em sentido oposto um ao outro.
Surgem depois JUQUINHA, a LOIRA BURRA e o ARGENTINO.
______________
Na janela de uma casa, no centro histórico de Olinda, se encontra o PAPAGAIO. A casa é daquelas cuja porta e janelas frontais dão direto para a rua.
O BÊBADO (que ainda está sóbrio) e o PORTUGUÊS caminham na rua em frente à casa, em sentido oposto um ao outro.
Surgem depois JUQUINHA, a LOIRA BURRA e o ARGENTINO.
______________
PAPAGAIO (gritando)
Ô filho da puuuuta! Filho da puuuta!
PORTUGUÊS (surpreso)
Falas comigo?
(pára em frente à janela, observando o animal)
Mas que ave curiosa! Além de saber falar, diz conhecer a minha mãezinha, lá do Alentejo...
BÊBADO (aproximando-se do Português)
Deixa de ser burro, ô Portuga! Não tá vendo que isso é um papagaio! Esse bicho vive xingando todo mundo que passa.
PAPAGAIO
Coooorno! Currupaco! Corno pinguço!
PORTUGUÊS
A ave parece conhecer também tua mulher.
BÊBADO (irritado)
Vem cá, passarinho desgraçado!
PAPAGAIO (gritando)
Um corno e um filho da puuuuuta! Um corno e um filho da puuuuuta!...
(o Papagaio entra voando pela janela e some no interior da casa)
BÊBADO
Mas que diabo! Vou depenar esse animal agora!
JUQUINHA (aproximando-se dos dois)
Se o senhor quiser, eu vou lá dentro pegar o bicho.
PORTUGUÊS
Tu moras aí, ó infante?
JUQUINHA
Não. Mas conheço a dona da casa. Posso entrar e pegar o bicho.
BÊBADO
Então vai e pega.
JUQUINHA
São dez reais.
BÊBADO
Pra quê?
JUQUINHA
Ora, pra eu pegar o bicho.
BÊBADO
Ninguém me chama de corno e fica por isso mesmo. Ô Portuga, me empresta aí dez reais!
PORTUGUÊS (olhando a carteira)
Mas eu não tenho dez reais. Tenho comigo apenas esta nota de cinqüenta.
BÊBADO
Me dá, que ele traz o troco.
JUQUINHA (entrando na casa)
Espera aí.
(Os dois transeuntes encostam-se à parede para esperar Juquinha voltar)
Mas que ave curiosa! Além de saber falar, diz conhecer a minha mãezinha, lá do Alentejo...
BÊBADO (aproximando-se do Português)
Deixa de ser burro, ô Portuga! Não tá vendo que isso é um papagaio! Esse bicho vive xingando todo mundo que passa.
PAPAGAIO
Coooorno! Currupaco! Corno pinguço!
PORTUGUÊS
A ave parece conhecer também tua mulher.
BÊBADO (irritado)
Vem cá, passarinho desgraçado!
PAPAGAIO (gritando)
Um corno e um filho da puuuuuta! Um corno e um filho da puuuuuta!...
(o Papagaio entra voando pela janela e some no interior da casa)
BÊBADO
Mas que diabo! Vou depenar esse animal agora!
JUQUINHA (aproximando-se dos dois)
Se o senhor quiser, eu vou lá dentro pegar o bicho.
PORTUGUÊS
Tu moras aí, ó infante?
JUQUINHA
Não. Mas conheço a dona da casa. Posso entrar e pegar o bicho.
BÊBADO
Então vai e pega.
JUQUINHA
São dez reais.
BÊBADO
Pra quê?
JUQUINHA
Ora, pra eu pegar o bicho.
BÊBADO
Ninguém me chama de corno e fica por isso mesmo. Ô Portuga, me empresta aí dez reais!
PORTUGUÊS (olhando a carteira)
Mas eu não tenho dez reais. Tenho comigo apenas esta nota de cinqüenta.
BÊBADO
Me dá, que ele traz o troco.
JUQUINHA (entrando na casa)
Espera aí.
(Os dois transeuntes encostam-se à parede para esperar Juquinha voltar)
(Uma hora depois, do alto da rua desce a Loira Burra)
BÊBADO (impaciente)
Mas que demora do diabo! Acho que aquele guri enganou a gente!
PORTUGUÊS (demonstrando preocupação)
Queres dizer que ele não volta com a ave? Ai, Jesus! Tomara que, ao menos, ele retorne com meu troco!
LOIRA BURRA (aproximando-se da dupla)
Por acaso, vocês viram um garotinho de uns dez anos que vive por aqui? O nome dele é Juquinha, eu acho.
Ontem, ele me pediu dez reais pra pegar um papagaio que estava me chamando de gostosa, mas não voltou...
BÊBADO (explodindo de raiva)
Desgraçado! Eu sabia que ele tava me enganando! Aquele guri não vai mais voltar aqui! Maldito!
LOIRA BURRA
Ah, não vai? Que pena... eu nem vou conseguir dar meu telefone ao papagaio...
BÊBADO (surpreso)
Você ia dar seu telefone a um papagaio?
LOIRA BURRA
Claro, meu filho! Eu ganhei oitocentos gramas na semana passada, imagina!
Tava me sentindo uma baleia! Aquele papagaio, quando me chamou de gostosa, levantou o meu moral... ele merece sair comigo, tá!
BÊBADO (sarcástico)
Pois chegou tarde, gatinha. Eu e o Portuga vamos matar aquele bicho verde!
PORTUGUÊS
Como? Eu não vou matar aquela ave!
BÊBADO
Mas... como assim? Ele te chamou de filho da puta!
PORTUGUÊS
Justamente! Quero apenas que ele me diga como conheceu minha mãezinha lá no Alentejo! Eu morro de saudades dela, coitadinha.
BÊBADO
Ah! Fodam-se, seus malucos! Eu vou entrar nessa casa à força e afogar aquele papagaio na privada!
(o Bêbado tenta forçar a porta, sem sucesso)
Tá trancada, essa merda!
ARGENTINO (aproximando-se do grupo, claramente irritado)
Más que cosa! Será que brasileño non sabe hacer nada!
(tira um arame de dentro de sua cabeleira e o mete na fechadura)
LOIRA BURRA
Ué? De onde veio esse cara?
(a porta se abre)
ARGENTINO
Mira! La puerta está abierta! Sus incompetientes!
BÊBADO (olhando para o Argentino)
Que cara mais metido!
(Volta-se para o Português e a Loira Burra)
Vamos entrar, que quero matar o papagaio, dar uns cascudos naquele moleque enrolão e pegar meu dinheiro de volta.
PORTUGUÊS
Espera lá! O dinheiro era meu!
Mira! La puerta está abierta! Sus incompetientes!
BÊBADO (olhando para o Argentino)
Que cara mais metido!
(Volta-se para o Português e a Loira Burra)
Vamos entrar, que quero matar o papagaio, dar uns cascudos naquele moleque enrolão e pegar meu dinheiro de volta.
PORTUGUÊS
Espera lá! O dinheiro era meu!
(Os personagens entram na casa)
3 comentários:
Pacas que papagaio danado .. já estou curiosa para saber onde foram parar as ultimas penas dele uheheheue... sorte a minha de esta perto da fonte destas ideias brilhantes que tanto tenho orgulho !!!
Te amo meu Roxá
amei pode continuar escrevendo :)
=';'=
está muito bom, embora seja uma velha piada!!!!
continue e...
Postar um comentário