5.7.06

Contos da Cripta, vol. 1: O Membro-Fantasma

Os incautos leitores deste blogue certamente já ouviram falar da Síndrome do Membro-Fantasma, que ocorre com pessoas que sofreram amputação de algum membro. Basicamente, consiste da sensação de que o membro amputado ainda está lá. O iatista Lars Grael declarou algumas vezes que ainda sente a perna que perdeu em um acidente. Os médicos afirmam que esta síndrome atinge os recém-amputados nos primeiros meses seguintes à cirurgia e tende a desaparecer, na medida em que o paciente aprende a conviver com a ausência do membro.

Deixemos a ciência de lado, pois esta é uma história de terror. Não sabia a pobre Madalena que ela passaria a sofrer desta síndrome, por causa de um membro que ela mesma amputou.

Madalena era uma mulher linda e sensual. Casou-se muito jovem com Miguel, um comerciante, dono de uma loja de miudezas no bairro de São José, em Recife. Aprendeu com ele os prazeres da cama e vivia muito satisfeita.

Anos se passam, e Miguel começou a chegar tarde em casa, sem motivos. Aparentemente não nutria pela esposa o mesmo desejo de antigamente, pois já não faziam sexo como outrora. As amigas diziam a Madalena que Miguel tinha uma amante.

- Se eu descobrir que ele está me botando “gaia”, corto a rola dele!

Cada vez mais desconfiada, Madalena passou a seguir Miguel. Até que certo dia entrou de surpresa no escritório da loja de Miguel e o pegou com uma loira maravilhosa, que lhe manuseava o pênis. Enlouquecida pela fúria, Madalena tirou um facão que trazia na bolsa e – ZAP! – cortou fora o membro do marido.

- ARRRGH!!! Madalena!!! Desgraçada, por que você fez isso?
- Você ainda me pergunta, seu safado! Você estava me traindo com essa vagabunda aí!
- Vagabunda não, minha senhora! – respondeu a loira – isso é a minha profissão!
- Miguel, ainda por cima, com uma prostituta?
- Madalena, sua louca! Ela é uma enfermeira. Estava me ajudando a cuidar dessas verrugas cabeludas que apareceram no meu pau...
- Verrugas? Meu deus... era por isso que você não fazia mais sexo comigo... estava com vergonha...
- Isso mesmo. Todas as noites eu ficava aqui até tarde passando os remédios que a enfermeira me trazia...
- Ai meu deus... me perdoa, meu amor, por favor!
- Vai se foder, sua maluca... olha esse sangue todo aqui.. a... a hemorragia... ui, morri!

Madalena viu o amor de sua vida morrer sem perdoá-la. O remorso de ter causado a morte do esposo foi tamanho que Madalena parecia fora de si. A única coisa que conseguiu fazer foi recolher o pênis decepado e correr para casa, sem derramar uma lágrima pelo caminho.

O pênis ficou em um recipiente de vidro, guardado na estante da sala. Até a missa de sétimo dia. Na ocasião, quando voltava pra casa abatida por causa das saudades de Miguel, recebeu a visita de seu advogado, que veio lhe instruir os termos de sua declaração para a polícia. O advogado aguardava na sala enquanto a chorosa Madalena foi ao quarto se recompor. Neste instante as luzes do local se apagaram e o ruído de alguém se movendo fez com que o advogado levantasse e olhasse para trás.

- Quem está aí?

Nenhuma resposta. O advogado ficou tenso. Resolveu procurar a fonte do barulho. Olhava para os lados. Suando. Até que viu, embaixo da mesa de jantar, o gato da família.

- Ah, é você, gatinho? Que susto você me deu, hein? - disse, abaixando-se para pegar o gato.

No momento em que o advogado se abaixa para pegar o gato, algo vem rapidamente por trás e – PUTUF!!! – lhe atinge bem no meio das nádegas.

- Aaaaaahhhhh!!!

Assustada com os gritos, Madalena corre à sala e encontra o advogado caído. Na estante, o recipiente de vidro desaparecera, junto com o pênis de seu amado. Ela finalmente percebeu que Miguel não descansaria enquanto não tivesse sua vingança.

TCHARÃM... TCHAM-RAM-RAM (música de suspense)

Madalena hoje está internada em um sanatório. O local onde ficava sua casa agora funciona uma boate gay muito badalada, pois dizem que os melhores clientes são freqüentemente atacados por uma pica verruguenta voadora. E, se você costuma andar despreocupado pelas ruas do bairro de São José e do Recife Antigo, cuidado! O Membro-Fantasma pode estar esperando por você... e ele não usa camisinha!

Um comentário:

Kafé Roceiro disse...

Ah!Ah!Muito bom isso, estou rindo sozinho aqui! Já morei em Recife e conheço bem aquelas paradas. Estou só imaginando esse negócio verruguento voando assombrando todo mundo! Ah! Muito bom!