13.2.06

Meu fardão

Quando eu passo muitos dias sem postar aqui no Borrão, e me vem aquele escrúpulo de escrever algumas poucas linhas para satisfazer meus dois leitores, vorazes devoradores da literatura de pixels, sinto pena do Dostoievski fugindo de seus editores, que lhe cobravam os novos livros encomendados. Sim, pois eu posso simplesmente pensar “estou cansado” ou “estou sem nenhuma idéia”, fechar o Blogger e voltar para o meu videogame. Já o russo, que dava como garantia aos seus credores os direitos sobre suas obras já escritas, não tinha alternativa: a saída era escrever. O homem só escrevia sob pressão.

Estava pensando nisso quando me brotaram duas idéias: a primeira era escrever um novo blogue, onde eu postaria uns cordéis muito ruins e ordinários que eu gosto de escrever quando estou sem nada para fazer. Chamar-se-ia Cordel de Pixels.

A outra idéia era comprar um latifúndio no Pará, onde eu colocaria dezenas de escritores amadores trabalhando 16 horas por dia em regime de semi-escravidão, produzindo um romance qualquer, do qual eu teria todos os direitos autorais. Para garantir a empreitada, contrataria alguns pistoleiros que ficariam de plantão, prontos para arejar o pulmão de qualquer féladaputa que ousasse escapar do cativeiro. Se Dostoievski produziu algumas das maiores obras da literatura universal sendo ameaçado por credores, tenho certeza que dessa forma garantiria minha cadeira na ABL.

Já estou me imaginando com o fardão, tomando chá com o Paulo Coelho e lhe dizendo: “Sua obra não passa de um monte de merda, seu estúpido! Não é como a minha, à qual eu dediquei muito de minha vida”.


Esqueçam o que eu escrevi há pouco sobre o Cordel de Pixels. Vou precisar dedicar todo meu tempo livre à segunda idéia. Alguém aí conhece algum latifúndio improdutivo no Pará, com um precinho bem camarada?

2 comentários:

Anônimo disse...

kakkkkaak.. George aqui é a Val, namorada do Joaquim... teu blog está um barato... parabéns!!!

Anônimo disse...

Pode me contratar que eu atiro nos escritores que tentarem fugir. Será um prazer.