O grupo formado para o resgate era composto de cinco pessoas: Professor, Profeta, Cigano, John e eu. Graças aos contatos de seu Álvaro, ficamos sabendo que o refém estava num casebre localizado na zona norte da Região Metropolitana do Recife. Ele estava em poder da máfia chinesa, que está começando a mostrar força na cidade, querendo expandir seus negócios para além da venda de produtos contrabandeados.Chegamos no local. Descemos do carro algumas quadras antes e nos aproximamos do cativeiro sorrateiramente. Não havia nenhum ruído, nem um som que denunciasse alguém por perto. Professor e John ficaram na retaguarda, Cigano nos deu cobertura e entramos Profeta e eu na casa. Arrombamos a casa e gritamos, com as armas em punho:
- Todo mundo pro chão! Quem se mover leva pipoco!
Para nossa surpresa ninguém se moveu. Aliás, na sala havia dois chineses desmaiados sobre o tabuleiro de damas e mais outros três dormindo no sofá. No canto da sala, estava Galvão Bueno amarrado numa cadeira.
- Bem amigos da máfia local... vocês vieram me libertar? Graças a Deus!
- Cala a boca! O que aconteceu aqui?
- Não sei! Eles resolveram jogar uma partida de damas, e eu pensei que se eu narrasse a disputa, seria mais emocionante. Mas eles acabaram dormindo no meio da narração...
Profeta desamarrou o Galvão, e saímos correndo do casebre. Porém, tão logo o efeito da narração do Galvão Bueno passou, os chineses acordaram e começaram a atirar em nossa direção.
- A máfia local contra a máfia chinesa! Um duelo de gigantes está para começar, amigo...
- Cala a boca, Galvão! Entra no carro! – gritei.
Deixei os rapazes para trás, enfrentando os chineses, afinal, a ordem era resgatar o Galvão com vida. No tiroteio, uma bala passou rente a minha orelha e estourou o pára-brisa. Acelerei e saí com o carro o mais rápido que podia dali. Um chinês numa moto continuou nos perseguindo, atirando contra o nosso veículo.
- Abaixa aí, porra! – disse eu, empurrando a cabeça do Galvão para baixo com a mão direita, enquanto a esquerda enrolava todo o volante, para fazer a curva fechada que vinha adiante.
- Que sufoco, amigo!
Seguimos a toda velocidade por uma avenida movimentada. Quando pensei que tinha me livrado do chinês da moto, ele surge de uma rua paralela e volta a atirar em nosso carro.
- Haja coração, amigo! Isso é um teste pra cardíaco!
- Cala a boca, Galvão!
Peguei minha semi-automática e comecei a atirar para trás, sem mirar direito. Não acertei a moto, mas o ruído dos tiros assustou um jumento que puxava uma carroça. O bicho, apavorado desembestou e cruzou na frente da moto. O chinês bateu na carroça e voou por alguns metros, parando dentro de um canal.
- Éééééééééé... é do Brasil. Rrrrrrrrrrrrrrrrrrroxá é o nome dele!!! - gritou eufórico o Galvão.
Cheguei ao Salão, mas quase não o reconheci. No lugar da festa, da bebida, da música que domina o ambiente todas as noites, encontrei uma multidão sorumbática, abatida, triste. No centro do local, um caixão, sobre o qual seu Álvaro Capone estava debruçado, chorando.
- Seu Capone, o que aconteceu?
- Ah, Roxá, que desgraceira! Mainha morreu essa noite! Ela se engasgou com o controle remoto e me deixou! Buuuuááááááá!!!!
- Com o controle remoto? O que ela fazia com isso na boca?
- Buuuuuááááááá!!!!
- Tá bom, seu Álvaro, tudo bem. Mas que eu faço com o Galvão? A gente conseguiu resgata-lo como sua mãe pediu, mas agora que ela se foi, não faz mais sentido tê-lo livre.
- Tem razão, Roxá.. snif! (enxugando as lágrimas). Devolva ele pros chineses se quiser. Enfim, faça o que lhe der na telha. Eu não estou em condições de tomar nenhuma decisão hoje.
Peguei Galvão pelos braços e o arrastei para os fundos. Deixei-o de joelhos e engatilhei o revolver.
- Bem amigo, o que você vai fazer comigo?
- Vou dar um jeito de os brasileiros terem uma narração decente para os jogos do Brasil na copa!
- Mas você não pode me matar... eu... eu tenho família. O Casagrande. Meu Deus, como ele vai fazer aquele penteado sem mim??? Sou eu quem arruma o cabelo dele todos os dias...
- Nada pessoal, Galvão, apenas negócios...
BLAM!
Nenhum comentário:
Postar um comentário